03/02/2010

Características do Simbolismo

O Professor Jacinto do Prado Coelho expôs, com a sua usual clarividência, as características comuns a todos ou a quase todos os poetas simbolistas: «revivescência do gosto romântico do vago, do nebuloso, do impalpável; amor da paisagem esfumada e melancólica, outoniça ou crepuscular; visão pessimista da existência, cuja efemeridade é doloro-samente sentida; temática do tédio e da desilusão; distanciamento do real, egotismo aristocrático, e subtil análise de cambiantes sensoriais e afectivos; repúdio do lirismo de confissão directa, ao modo romântico, expansivo e oratório, e preferência pela sugestão indecisa de estados de alma abstraídos do contexto biográfico, impersonalizados; mercê de fina e vigilante inteligência estética (sob dado ângulo, os Simbolistas são os herdeiros do Parnasianismo pelo exigente culto da Beleza e pelo papel atribuído à vontade na reali-zação do poema), combinação muito hábil de inspiração (abandono aos acenos do inconsciente, às associações espontâneas) e lucidez (comando e aproveitamento desses elementos irracionais), com resultados inteiramente novos em poesia; larga utilização não só do símbolo tipicamente simbolista, polivalente e intraduzível, mas da alegoria, da imagem a que deliberada e claramente se confere um valor simbólico, da comparação expressa ou implícita, da sinestesia (sobreposição de sensações, como som branco, etc.), da imagem simplesmente decorativa; linguagem concreta ou mesmo impressionista (...); carácter fugaz, dinâmico da imagem, pronta a dissolver-se na tonalidade afectiva e no fluir musical do poema; musicalidade que (...) se prolonga em ressonância interior até para além da leitura do texto; libertação de ritmos; vocabulário rico de palavras complexamente evocativas (...); o gosto dos cenários exóticos, luxuosos, que vem dos parnasianos; o amor das fulgurações barrocas e dos malabarismos rítmicos» - típicas estas últimas de Eugénio de Castro, sobretudo.