24/11/2009

Características da narrativa épica


A fuga de Eneias


A epopeia remonta à Antiguidade grega e latina lendo, nessa época, como expoentes máximos a Odisseia e a Ilíada, poemas gregos atribuídos a Homero, e a Eneida, poema de Roma da autoria de Virgílio.
A epopeia é um género narrativo em verso.
Como qualquer narrativa tem uma acção que envolve personagens situadas num determinado espaço e tempo. No entanto a narrativa épica tem características específicas.
A Aristóteles, filósofo grego do século in a.C, se deve o primeiro estudo sistemático sobre Poesia. A sua Poética (de que se perdeu parte do texto) contém, tal como a conhecemos, um estudo sobre a Tragédia e a Epopeia e uma comparação entre estes dois géneros literários. É pois um texto fundamental para a definição de epopeia de que as de Homero são apresentadas como modelo.

Segundo Aristóteles:
- a acção épica deve ter grandeza e solenidade, deve ser a expressão do Heroísmo;
- o protagonista (rei, grande dignatário, herói), além da sua alta estirpe social, deve revelar grande valor moral;
- a epopeia deve ter unidade de acção (Aristóteles cita o exemplo de Homero, que não coma no seu poema, Ilíada, a Guerra de Tróia com a sua diversidade de acontecimentos. Situa-se numa fase já adiantada do conflito e, sob a forma de episódios, apresenta um grande número de outros factos já passados);
- os episódios não só dão à epopeia extensão, como a enriquecem, sem quebrar a unidade de acção;
- o maravilhoso deve intervir na acção da epopeia;
- o género épico utiliza o modo narrativo; o poeta narra em seu próprio nome ou assumindo personalidades diversas;
- a intervenção do poeta, tecendo considerações em seu próprio nome deve ser reduzida.
(Mais uma vez é referido o exemplo de Homero que depois de um curto preâmbulo - Invocação e Proposição - passa de imediato à 3? parte constituinte da epopeia, a Narração;
- o início da Narração apresenta-nos a acção já numa fase adiantada («in media rés»).

Note-se que, dada a importância atribuída à unidade de acção, as narrações retrospectivas e profecias surgem frequentemente nas epopeias para contar factos passados e futuros em relação à acção fulcral.