09/05/2009

Cancioneiros

Sendo transmitida oralmente, é natural que muito da poesia trovadoresca acabasse desaparecendo, sobretudo antes de 1198. Com o tempo, a fim de avivar a memória incapaz de reter várias composições, as letras passaram a ser transcritas em pequenos cadernos de apontamentos. Mais adiante, com o objectivo de resguardá-las definitivamente contra qualquer extravio, foram postas em cancioneiro, isto é, colectâneas de canções, sempre por ordem e graça de um mecenas, especialmente o rei.

Dos vários cancioneiros que nos ficaram (na biblioteca de D. Duarte havia o Livro de Trovas de D. Afonso ou de El-Rei e o Livro de Trovas de D. Dinis, mas perderam-se), três merecem especial relevo, por sua importância numérica e qualitativa:
  • Cancioneiro da Ajuda, composto no reinado de Afonso III (fins do século XIII), o que exclui a contribuição de D. Dinis (reinou entre 1268 e 1325 e foi chamado Rei Trovador) ; contém 310 cantigas, quase todas de amor;
  • Cancioneiro da Biblioteca Nacional (também chamado Colocci-Brancuti, homenagem a seus dois possuidores italianos, dos quais Brancuti foi o último), é, uma cópia italiana do século XVI, possivelmente de original do século anterior; contém 1 647 cantigas, de todos os tipos, e engloba trovadores dos reinados de Afonso III e de D. Dinis;
  • Cancioneiro da Vaticana (o nome lhe vem de ter sido descoberto na Biblioteca do Vaticano, em Roma), também cópia italiana do século XVI, de original do século anterior, inclui 1205 cantigas de escárnio e de maldizer, de amor e de amigo.

Massaud Moisés, A Literatura Portuguesa
Editora Cultrix, São Paulo