15/09/2008

Poetas do trovadorismo


São escassos os dados biográficos acerca da maioria dos poetas que subscrevem estas cantigas. Sabemos que o gosto de fazer poesia alastrou, nesta época, por todas as classes sociais. Assim, a par dos trovadores, criadores da poesia desinteressada, "por galantaria cortesã e comprazimento estético", havia os jograis, homens de condição social inferior que cantavam músicas e poesias alheias, ou por vezes as próprias extraindo daí rendimento para a sua sobrevivência. O jogral andava de castelo em castelo para entreter os senhores e era acompanhado da soldadeira ou jograleza, mulher que dançava e cantava o que o jogral tocava, pois as cantigas eram, por vezes, acompanhadas de música.

Trovadores nobres são numerosos, já que o ambiente de corte portuguesa, sobretudo de D. Afonso III e D. Dinis, era propício ao cultivo da poesia. D. Dinis foi um extraordinário trovador, quer a nível de perfeição, quer de fecundidade, sendo cento e trinta e oito as suas cantigas.
Esta poesia, que ultrapassou no séc. XIII a fase da literatura oral, foi recolhida na sua maior parte e reunida em importantes antologias, chamadas Cancioneiros. Os Cancioneiros constituem um valiosíssimo documento histórico e literário da nossa Idade Média, pois as tradições, os costumes, as ideias, as preocupações, o quotidiano dessa época estão presentes nas composições dos diferentes poetas.